Wednesday, April 16, 2014

INSPIRATION: WILL BE THE INTERNET A NEW RELIGION?


 
 
Penso no mundo pré-internet enquanto vou ao Google e digito umas palavras ao acaso sem sentido aparente para descobrir que afinal há alguém ou alguma coisa com esse nome. Teclo palavras com prováveis erros ortográficos (mesmo em inglês) e elas passam a fazer todo o sentido como, por exemplo, “deejay meme” (a escolha foi completamente aleatória) e fico a saber que isso existe. Aquela máxima de que já tudo foi inventado ganha um novo sentido através da internet. Para o bem e para o mal, em nome da sabedoria e da ignorância e daqueles que de tão ignorantes se julgam sábios, a internet é a nova religião, com biliões de seguidores cheios de fé naquilo que Ela diz sem ter que provar absolutamente nada.
Se não está na net não existe, esta crença é tão válida para pessoas como para animais e coisas. "Não tens perfil no Facebook!!!!", sendo que olhamos para a pessoa em causa e vemos logo ali uma espécie de  apócrifo social .  Nunca depois da invenção de Deus, houve algo assim – uma espécie de entidade superior que não se vê, nem se sabe donde vem e que quando vem está em toda a parte (na piscina do vizinho bom como o milho e no horror da guerra do Darfur). Para além disso, reproduz-se com a força de um vírus fatal e até nas coisas mais incríveis que Ela diz, todos acreditam. "Está na net" e é como se fosse uma oração moderna com letra dos Artic Monkeys. As novas igrejas são as redes sociais e o Twitter, uma espécie contemporânea de confessionário que nos faz a todos um pouco de sacerdotes em busca de uma missão – salvar e/ou enterrar o próximo.

Como em todas as novas religiões, a internet fabrica os seus mártires, os seus adictos, os seus fundamentalistas… e os seus ‘velhos do Restelo’ privados que contra ela discursam. Estes páridas tecnológicos, à semelhança dos antigos profetas,  não se cansam  de pregar a maldição para os jovens e mais incautos que  ingenuamente caem na Rede dos seus mistérios. De como a net fomenta a intriga social, e consequentemente, a cobiça (da mulher do próximo e dos bens do próximo), a inveja e outros pecados mortais que sempre existiram desde que o homem se endireitou e passou a poder espreitar por entre os arbustos. Só que agora espreita para sofisticados écrans. Não nos esqueçamos de que a única coisa que mudou foi a forma de transmissão da intrincada novela que é a vida real , pois, o conteúdo e intenção permanecem exatamente os mesmos. Por exemplo, a sms (para os apressados) ou emails (para os que têm o dom da palavra escrita) substituiu o post-it físico para acabar relações ou pedir o divórcio. Quem não se lembra do episódio de "O Sexo e a Cidade" em que o namorado da Carrie acabou com ela através de um simplório post-it? E posso garantir-vos que não é tão traumatizante ler uma mensagem num tablet “ Não aguento mais. Quero o divórcio” do que num post-it amarelo com a puta da caligrafia do ex-qualquer-coisa espetada na cabeceira da cama, com a mesma vulgaridade com que diz “ Querida, os meus Chocapics acabaram”.

Se pensam que os jovens têm a vida facilitada porque têm acesso desde o berço a esta nova espécie de religião que religa todos- a- todos- e- tudo- a- todos- e- todos- a- tudo, estão bem enganados. Pensem em todas as figuras ridículas que fizeram no Secundário, as fatiotas ultrajantes que as nossas mães nos obrigaram a vestir nas cerimónias familiares, aquelas fotografias horríveis de adolescentes desengonçados com os primos igualmente sofredores dessa doença que é a adolescência que estica as pernas até ao infinito, nos encurva o esqueleto e nos decora a cara com crateras do tamanho do Açores? Até à existência da internet, quanto muito esses testemunhos do ridículo só existiam nos álbuns de fotografias, em casa de pais e avós  que nos apressávamos a esconder no fundo da gaveta quando se levava a/o namorada/o lá a casa. Hoje, está tudo às claras e PARA SEMPRE. Pior, são os próprios pais que fazem questão de com orgulho documentar para a posteridade a fenomenal birra  dos rebentos ou os erros crassos na redação escolar, muito pouco abonatórias para os mesmos. Ali está exposta a nossa merda toda, em triliões de posts, devidamente acompanhados de fotos e videos e que podem envolver mais tarde muita psicoterapia.      

A internet não é o bicho papão que alguns proclamam e de nada serve as proibições de acesso que recentemente o governo, de forma inteligente e esclarecida, tomou relativamente aos computadores das escolas públicas. O Ministério da Educação faz muito bem em proteger os miúdos, profs e funcionários, não deixando que na escola laica se pratique qualquer tipo de religião. O governo francês também tentou algo assim com as práticas muçulmanas, e acho que não correu muito bem. Por outro lado, o governo português mostra que está muito à frente, ao considerar as redes sociais uma espécie de Igreja dos novos tempos. Ninguém se lembraria, por exemplo, de alugar o anfiteatro das escolas aos Manás?! Acho bem que se proiba, na escola, o acesso ao confessionário Twitter, onde os alunos se poderiam confessar atraídos pelo decote da professora de fisico-quimica, acompanhada da respetiva foto. Lá teria que ir o diretor para penalizar os alunos com a reza em voz alta da tabela periódica 50 vezes. Uma chatice, contudo, evitada se se proibisse as professoras de usarem tops demasiado decotados em vez do acesso à internet, não acham? Claro que este seria mais um pretexto para outra manifestação do sindicato dos professores com criativos cartazes a gritarem em plena rua "Mais fascismo não" devidamente ilustrados com o decote da vítima.

 
 Uma verdadeira intrusão ilegal na soberana liberdade de vestir das professoras, diriam os dirigentes sindicalistas nas redes sociais. Mas, que ninguém leria porque o acesso está interdito em toda a rede escolar e os professores em casa não têm tempo de ir à net, ocupados em corrigir testes e trabalhos. Se há que sacrificar alguma coisa que seja pois a liberdade de expressão! 

Voltando ao que aqui me levou a escrever esta panóplia de questões levantadas pela polémica invenção da internet, experimentem googlar qualquer disparate e vão ver que ele existe, algures, legitimado e carimbado pela wikipéia – esse antro fazedor de sábios ignorantes. Vão ao Twitter e inteirem-se das últimas confissões da Miley Cyrus e -  maravilha das maravilhas só permitida pela existência de internet - se escreverem mal o nome da dita e googlarem “Mirey Circus”, inteligentemente, a net irá corrigir o vosso erro para o nome correto. Digam lá se isso não é incrível? Certamente, a cura imediata para os disléxicos crónicos e ignorantes profundos através de um simples ENTER. É ou não é um milagre autêntico digno de uma verdadeira religião? Amen!     
 
 

 

Friday, April 11, 2014

INSPIRATION: LADY GAGA WEARS VALENTIM QUARESMA


Lady Gaga escolheu uma peça da coleção 'Daydream' outono/inverno 2013 de Valentim Quaresma para integrar a mais recente produção da cantora G.U.Y. O designer de acessórios e joalharia é agora referenciado no Gaga Fashion Land, espaço dedicado à divulgação das escolhas no universo Gaga. 




Uns ombros em pele e metal desenhados pelo português Valentim Quaresma foi a peça escolhida para vestir um dos quadros de bailarinas no referido video e faz parelha com outras grandes marcas internacionais como a La Perla.


É possivel encontrar as coleções de Valentim Quaresma, a partir do dia 10 de abril, disponíveis na concept store Soulmood, na Travessa do Carmo, em Lisboa. O designer de joalharia contemporânea  passa assim a ser vizinho de outros conceituados nomes da moda nacional como Alexandra Moura e Lidija Kolovrat que têm as suas lojas nessa mesma rua.



Monday, April 7, 2014

INSPIRATION: VOGUE PORTUGAL WITH MARIA BORGES BY RUI AGUIAR

 
Quem me segue sabe que tenho sido bastante critica relativamente às edições portuguesas das revistas de moda como a Vogue e a Elle, por não investirem nos designers portugueses nos seus editorias de moda. A prática comum é comprarem um pacote de editorias feitos lá fora e que já foram publicados, originalmente, nas várias edições internacionais dessas mesmas revistas, algumas vezes com meses de antecedência. Felizmente, que essa má prática é por vezes quebrada como aconteceu nesta edição de Maio da Vogue Portugal que me conseguiu verdadeiramente surpreender por vários motivos:
 
Primeiro porque foram buscar a Maria Borges que é uma modelo luso-angolana, radicada em Nova Iorque, e que está em verdadeira ascensão como protagonista de um verdadeiro conto de fadas que conta com Riccardo Tisci, James Scully e Katie Grand como padrinhos. Maria Borges foi destaque nos desfiles de Alta Costura de primavera 2014 da Givenchy, e da Dior e Marc Jacobs na scoleções outono 2014.
 
Em segundo lugar, porque souberam de forma magistral misturar peças de designers portugueses, mesmo os novissimos como Olga Noronha, Diogo Miranda e Cristina Real, com peças da Prada, Riccardo Tisci para a Givenchy, Céline, Hermés. Mas, também os consagrados portugueses tiveram o seu lugar de honra como Alexandra Moura.
 
Por último, porque o fotógrafo Rui Aguiar foi a escolha certa, e o styling fantástico de Paulo Macedo, completaram o quadro de um editorial de moda que é do melhor que vi nos últimos tempos. Aqui fica o elogio em que os portugueses são tão parcos, talvez, pelo receio parolo de que sempre que se elogia isso afecte negativamente a qualidade e eleve o preço.
 
Parabens Vogue Portugal! Agora espero o dia em que estes editoriais, á força de se repetirem, já não me surpreendam.        
 
 


 






Thursday, April 3, 2014

INSPIRAÇÃO: PEGAR A VIDA PELOS CORNOS

A Claúdia Marques do blog Contos com Amoras, fez-me o desafio de escrever uma crónica para o blog dela que eu aceitei com um imenso prazer, pois, é um dos meus blogs preferidos. Por isso vão AQUI que é onde eu estou hoje.

Obrigada Claúdia.

Friday, March 28, 2014

INSPIRATION: NO COMMENTS ARE NEEDED!


 
 
Após o telefone tocar cerca de 12 minutos, ininterruptamente:

- Está?

- Sim.

- Boa Tarde. De onde fala por favor?

- Para onde é que quer falar?

- Para a Arquidiocese. É este o número correto?

- Depende.

-???

- Depende de com queira falar.

- Eu queria saber o que é preciso para obter um certificado de que sou batizada, tenho a 1ª Comunhão e o Crisma que não tenho a certeza de que tenho…

- Depende.

- ???

- Onde é que fez os Sacramentos?

- Em Évora, na paróquia de S. Pedro. Mas, não tenho a certeza de que os fiz. Sei que fui batizada e acho que fiz a 1ª Comunhão, mas, quanto ao Crisma, não tenho a certeza.

- Pois, mas, tem que saber. Sem isso nada feito.

- E não há uma forma de se verificar se fiz e o que fiz?

- Sim. Através dos seus pais. Ou avós.

- Pois, é que a minha mãe não se lembra se fiz a Crisma… e a minha avó já morreu.

- Pois. Então nada feito.

- ???

- Mais alguma coisa?

- Mas, os sacramentos não ficam inscritos no termo de batismo?

- Sim.

- Então não se pode obter uma certidão do termo de batismo?

- Pode.

- Pois é que é mesmo isso que quero. Uma certidão com todos os sacramentos que fiz. Preciso disso para ser madrinha de batismo de uma menina.

- Compreendo.

- E então?

- Tem que vir cá pessoalmente, à secretaria da Arquidiocese e pedir uma cópia do termo de batismo onde está o seu historial todo.

- É isso que eu preciso, mas, não vivo em Évora e para ir aí tenho que perder um dia de trabalho.

- Pois.

- Não dá para ir aí a minha mãe pedir, levando um documento assinado meu e o meu cartão de cidadão?

- Documentos civis não interessam nada para aqui.

- Só para atestar que a minha mãe é minha mãe.

- Só fornecemos esse tipo de informação ao próprio. Lamento.

- E que é que eu tenho de levar se for aí para pedir a tal certidão?

- Tem que trazer um certificado de que foi batizada e em que paróquia com o número e o ano do termo de batismo, ou, em alternativa um comprovativo de onde fez a 1ª Comunhão , a Crisma e os restantes sacramentos, incluindo o casamento, com as respetivas datas dia/mês/ano… isso deve ter não? Os termos, incluindo o de casamento religioso?

- Acho que entretanto perdi nas mudanças de casa. Mas sei que casei e onde!!!

- Pois, mas, não basta a sua palavra, tem que trazer provas documentais.

- E testemunhas não chegam.

- Não aceitamos testemunhos humanos estão sujeitos a erro.

- Ah! Então como faço?

- Tem que trazer os documentos que referi.

- Pois, mas, eu não tenho esses documentos. São  precisamente esses documentos que eu preciso.

- Pois. Compreendo. Mas, se não sabe quando e onde fez os sacramentos não temos como ir à procura do termo de batismo e do seu historial…

- Nem pelo ano e pela Paróquia?

- Não, tem que ter o documento comprovativo. E tem que vir com os documentos, presencialmente, solicitar a requerimento ao Sr. Arcebispo de Évora. E pode demora alguns meses por implicar pesquisa nos Livros visto que se trata de um ano muito antigo ( 1965!!!!!).

- Mas, é esse documento que eu preciso…. Se o tivesse não o estava a solicitar.

- Lamento. Mais alguma coisa?

- Desculpe. Mas, como é que eu posso fazer para ser considerada apta para ser madrinha de batismo de uma criança?

- Ter todos os Sacramentos exigidos, é claro! E entregar um comprovativo dos mesmos na Paróquia onde vai decorrer o Batismo.

- Mas, é isso que eu estou a solicitar.

- Então tem que cá vir. Mais alguma coisa?

- E para me passarem o documento tenho que levar, em pessoa, os documentos que comprovem que fiz os Sacramentos exigidos.

- Sim, mas, já a informei disso mais do que uma vez. Não percebeu? Para obter cópia do termo de Batismo tem que apresentar provas documentais de que foi batizada, e assim sucessivamente para todos os Sacramentos que fez e onde fez, com a data dia/mès/ ano. Só assim é possível pesquisar nos Livros.

- Mas, eu não me lembro, era pequena.

- Lamento.   

- Obrigada. Desculpe incomodar.

- Sabe, aqui para nós, é que hoje em dia todos se acham aptos para serem padrinhos e madrinhas das crianças que irão ser submetidas aos sagrados sacramentos, por isso é que temos que ser tão exigentes. Além do mais esses documentos são obrigatórios pelo que têm de ser preservados.

- Sim e na hipótese de se perderem, acontece!

- Não, isso nunca acontece a um bom católico praticante.

- Muito bem, e como não ando na carteira com o meu registo de batismo, Comunhão, Crisma e Casamento, já não posso ser madrinha de uma criança.

- Lamento. Isso é um dever dos bons católicos praticantes que são os únicos aptos a testemunharem os Sagrados Sacramentos. Não podemos admitir padrinhos falsos como deve calcular. Isso na nossa Igreja não acontece. Boa Tarde. Deus seja convosco.

-   ???

Thursday, March 27, 2014

INSPIRATION: MARION COTILLARD IS LADY DIOR BY JEAN-BAPTISTE MONDINO



 

Marion Cotillard stars as the new face of Dior once again, fronting the Lady Dior campaign. I love this ad campaign Fall/Winter 2014-15 by Jean-Baptiste Mondino. 

Marion Cotillard é de novo a cara da campanha Outono/inverno 2014-15 da Dior com fotos magnificas de Jean-Baptiste Mondino.



 
 

 
 

Tuesday, March 25, 2014

INSPIRATION: CATS AND FLATS



 
 

 
 

 
 

 
 

 
 
 

INSPIRATION: JOURNEY TO HELL AT THE DRESSING ROOM






Corro o risco de ninguém entender este meu fascínio por provadores de lojas de fast fashion, mas, considero aquilo o limbo, onde as meninas mal comportadas se encontram com as bem comportadas, como numa sala de espera de aeroporto, sendo que umas embarcarão para o Inferno e outras para o prometido paraíso, logo que experimentem a primeira peça de roupa, em especial, se forem skinny jeans. Desconheço quem concebe os provadores da Zara, Mango, H&MS… e afins, mas, certamente, é um homem másculo e mal resolvido, desses que lá no fundo são gays, mas, a quem a sociedade mete medo e por isso são só misóginos. É que aquilo em termos de iluminação e qualidade de espelhos ou lá o que raio é aquilo, até faz com que a Gisele Bündchen tenha olheiras até ao rabo e celulite das coxas aos dois joelhos. Ora não seria suposto que as condições de iluminística e perspetiva fossem concebidas para refletir uma imagem positiva da mulher naquelas roupas e a fizessem sentir para lá de espetacular? Afinal, eles não querem vender as roupas? Ou, querem, pelo contrário, deprimir a mulher ao ponto de esta ir enfiar as fuças olheirentas no primeiro pastel de nata que encontrar e sentar-se em qualquer cadeia de fast food para afogar em poligorduras, as mágoas provocadas pelos naperons rendilhados que tem agarrados às coxas estilo Bordalo Pinheiro?

E então quando após um longo e pesaroso inverno, em que a pele apresenta aquela consistência de bolinhas em relevo cor de aviário, de frango acabado de depenar, decidimos que está na hora de ir comprar um fato de banho novo? Aí é que a verdadeira viagem às agruras do Inferno começa! A luz é mais crua que sushi de cação, assim a dar para o amarelado, as rugas de expressão fitam-nos ameaçadoras, prestes a explodirem de dentro do espelho para algo parecido com pregas de bebés Michelin e as nossas nádegas são exponenciadas em má técnica 3D, com aquela expressão descaída de Calimero triste. Corremos dali para fora como se tivéssemos sido possuídas por uma freira cantora, macilenta e rabuda, com cara de peixe. Sem percebermos lá muito bem como é que se deu essa transformação,  pois, ainda de manhã nos vimos após o duche, nos espelhos lá de casa, e a coisa nem estava assim muito má. Corremos a pedir a expiação dos nossos pecados mortais de consumistas obsessivas, desejosas de encontrar asinhas de galinha fritas com molho picante e um everest de batatas fritas, na esperança de exorcizarmos assim o demónio dos provadores de lojas, não com a cruz mas com comida que engorda antes de matar. Posto isto acho mesmo que existe um conluio entre as lojas de fast fashion e as de fast food, à semelhança do Continente com as Pousadas de Portugal.

Todas as mulheres, a partir dos 12 anos em média, sofrem da convicção, subjetivamente irremovível, assim, uma espécie de crença, de que são gordas e que só uma dieta milagrosa as pode salvar. Depois, passam a vida à procura dessa dieta que as emagrecerá sem fome nem exercício. Até que chegam à proveta idade de 80 anos e, simultaneamente, à conclusão que uma dieta dessas é outro mito urbano. Estou plenamente convencida de que a culpa disso é dos provadores a que desde tenra idade as nossas mães nos sujeitam, quando nos arrastam para tardes intermináveis de compras. Nada me parece mais traumático para a autoestima, nem mesmo a traição do primeiro namorado com a gaja mais popular lá da escola, do que uma iniciação a um provador para experimentar roupa no início da adolescência. Ainda para mais porque a conclusão de que o traidor é estúpido que nem uma porta, não se pode aplicar ao provador que, raramente, têm portas, talvez para evitar que as pessoas se auto mutilem lá dentro e se possam entrincheirar de desgosto fazendo reféns até lhe trazerem um Big Mac duplo.

Sou e sempre fui uma pessoa magra, sendo que o meu peso se situa entre os 52- 55 kg, mas, juro-vos que dos momentos mais traumáticos da minha vida, aconteceram em provadores de lojas de roupa barata. Como se não fosse já suficientemente mau a roupa ter aquele ar de chita mal acabada, com costuras tortas e pré-borbotos nas cavas, há calças tão estreitas que nem o meu pé lá cabe e o meu rabo S tem que se apertar num XL mal amanhado. Outras há que um XS dá para usar de braguilha para a frente ou para trás, à escolha. Mas, mesmo com números errados, seria suposto que um 36 fosse um 36 universal, mas às vezes é um 42 e outras vezes é um 32, não era preciso terem inventado os provadores como terapia de choque para as shopaholics. Admirada estou eu de não existirem "Grupos de Apoio a Jovens Anónimas" (GAJAS) para vitimas dos provadores com sindrome de Rubens (não existe eu googlei).

Das poucas visitas que fiz a luxuosa boutiques de roupa insanamente cara, os provadores são radicalmente diferentes disto. As cabines são do tamanho de um T1 em área bruta, os espelhos colocados de frente, atrás e dos lados são estratégicamente inclinados para nos fazer mais altas e esguias e a iluminação é tão quente e indireta que não dá para ver nada, pelo que temos que nos deslocar ao centro da loja onde um espelho gigante com moldura doirada e as empregadas solicitas nos aguardam com um role de elogios que faria corar um gigolo italiano. Até no caso de simples provadores de roupa o mundo é bipolar.  

Que eu saiba nenhuma mulher saudável deixa de fazer compras em lojas baratas por causas das visitas traumáticas às câmaras da morte da autoestima. Mas, conheço, algumas amigas minhas que até são bem bonitas por sinal, que se recusam a experimentar roupa nessas lojas, pelo que compram sem experimentar e normalmente dá merda. Depois, queixam-se que têm corpos difíceis e que não encontram roupa que lhe caia bem. O que não é de admirar pois a maior parte da roupa feita em séries de milhares de milhões, igualmente, para asiáticas e americanas, latinas e alemãs, só cai bem mesmo a mulheres com vocação para espeto de frango, com tornozelos chupados e cabeças grandes. Fora isso, temos a saga dos provadores mal concebidos e chegamos à conclusão de que as mulheres são todas super. Pois, com roupa mal feita, e com uma imagem refletida que torna supermodelos dos anos 80 em vacas mal paridas, ainda assim, não se inibem de seguir religiosamente os 3 passos da felicidade ECF's: Experimentam, Compram e sentem-se Fabulosas. Não há teoria da conspiração que transforme o prazer  de ter roupa para estrear, nem engenheiros misóginos dos provadores que nos metam medo e nos afastem da nossa paixão pela moda à medida da nossa carteira.

              

Monday, March 24, 2014

INSPIRATION: HOW MY GRANDMOTHER'S COOKING MADE ME WHO I AM?






Tenho-me dado conta que partes das minhas obsessões com comida foram culpa direta da minha avó. O que para mim representa de imediato uma contradição, uma vez que a minha avó era devota de uma vida livre de excessos e da gula (não no sentido católico de pecado mortal, mas, como uma vergonha mortal face à escassez que (já) naquele tempo imperava no país para a maioria da população. Não que ela considerasse o hedonismo a autoestrada para a danação do Inferno, pelo contrário, ela ensinou-me que o verdadeiro pecado era desperdiçar as coisas boas da vida quando estas se nos apresentassem à frente, mas, tinha uma noção incrível do equilíbrio e bom senso. Por isso, a minha avó dedicou grande parte da sua vida a um empreendimento cujo sucesso não dependia em nada de si própria – tornar-me uma boa pessoa - e ao mesmo tempo ia-me mostrando a vida em todo o seu esplendor, onde se incluía o culinário.

Imaginem um ser que nascesse de uma mistura dos genes da finança como ciência exata de Oliveira Salazar, da noção de grandeza como filosofia absoluta de Napoleão  Bonaparte e da ingenuidade social de Jean-Jacques Rousseau e cuja mãe fosse Isabel I de Castela com o seu pulso de ferro e sageza, e terão uma ideia bastante aproximada de quem foi a minha avó. A mulher que mais liberdade mental me deu e mais me restringiu o meu comportamento obsessivo-compulsivo e, simultaneamente, me mostrou a beleza de um pão alentejano acabado de sair do forno cujas fatias barrava com banha de porco caseira e polvilhava de açúcar amarelo. Foi ela a inventora do conceito “Impossible is Nothing” (O impossível não existe senão na tua cabeça, oh neta!) e que a Nike, anos mais tarde, roubaria, descaradamente. Tinha uma saúde de ferro que tratava a café e um cálice de anis quando se sentia mais cansada, num tempo em que conceitos como colesterol e tensão arterial ainda não tinham sido inventados para o povo. Gorduras, açúcar, pão e comida condimentada eram a minha dieta desde tenra idade. Juro que perante os condimentos picantes feitos pela minha avó, a gastronomia indiana e mexicana é um doce tormento, e ela inventava aquilo tudo com especiarias de misteriosa proveniência, pois, a comida alentejana desconhecia ainda a mão molecular da minha avó.

Cozidos e grelhados eram para ela comida hardcore e uma falta de respeito para com Deus que nos criou com o paladar requintado e o elegeu como um dos 5 sentidos ao dispor da humanidade. Por isso, mal tive o primeiro dente, fui logo sendo apresentada aos seus sabores fortes e temperos quentes. Ao doce misturado com salgado, ao apimentado que travava com o amargo do cacau e a outras misturas improváveis que me definiram como pessoa até hoje. Lembro-me de quando vim estudar para Lisboa e arranjei o meu primeiro emprego, ter ido com a minha patroa pela primeira vez a um restaurante clandestino, à porta fechada, na Rua da Rosa. Tudo aquilo era muito misterioso e as pessoas que nos serviram, em mesas baixinhas e nós sentadas em almofadas, de olhos rasgados e vénias por nada e por tudo, iam trazendo pratinhos de comida indefinível e na maioria crua. A minha patroa olhava para mim com curiosidade e depois com um grande espanto que já não conseguia esconder, apesar de ser uma pessoa bastante fleumática à maneira inglesa. Como é que uma pessoa como eu, vinda dos confins da província, lidava tão bem com todas aquelas novidades alimentares? Vim a saber mais tarde que tinha ido ao meu primeiro restaurante japonês que eram completamente desconhecidos no eixo Lisboa-Cascais e que só cerca de 20 anos mais tarde é que viriam a conhecer a luz do dia na capital e 30 anos mais tarde se tornariam moda e fast food. Claro que a Ana Salazar nunca tinha sido iniciada pela gastronomia típica da minha avó Maria Antónia e que à beira daquelas japonisses era uma espécie avançada de comida experimental molecular. Não que a minha avó andasse em volta de tubos de ensaio em que líquidos de todas as cores borbulham e deitam uma espécie de fumo branco, nem que ela soubesse alguma vez o que era uma mousse de salmão com reduzido de pêra rocha. Mas, estou completamente convencida que foi a minha avó que inventou o sushi quando um dia me abrigou a comer cação crú envolto em arroz para disfarçar o gosto e que ela assegurava tratar todo o tipo de problemas de estômago e vesicula.  

Hoje, nada me faz confusão, sou uma pessoa aberta a todo o tipo de experiências desde que não me obriguem a participar nelas se para tal não estiver para ai virada, raras são as coisas que me chocam e ainda considero intacta a minha capacidade de me espantar. Em resumo, graças às experiências alimentares da minha avó, sou uma “open mind” para quem o impossível é nada e nada é impossível. As lições gastronómicas da minha avó não me fizeram uma grande cozinheira (nem sequer pequena ou minúscula), mas, prepararam-me como ninguém para a vida e para apreciar as coisas boas, as novidades e as mudanças. E com isto posso dizer, afinal, que a grande empresa que a minha avó se propôs a fazer ao longo da sua vida – educar-me – foi um verdadeiro sucesso. Não sei se sou aquela boa pessoa que ela queria, mas, sem dúvida que sou tolerante para com a diferença e absolutamente intolerante para a estupidez de quem não experimenta por medo, de quem não muda por acomodação, de quem é ignorante por opção. E claro com as minhas obsessões alimentares induzidas e refreadas pela mão firme de Maria Antónia.          

Thursday, March 20, 2014

H&M CONSCIOUS EXCLUSIVE COLLECTION







À VENDA A PARTIR DE 10 DE ABRIL NA LOJA H&M DO CHIADO (LISBOA)

Monday, March 17, 2014

INSPIRATION: MARQUES'ALMEIDA FALL 2014 - Backstage



 Marques'Almeida Fall 2014... Como eu adoro isto!!!






Thursday, March 13, 2014

INSPIRATION: NAIR XAVIER FALL/WINTER 2014 - THE NEXT FASHION WORLD'S CRUSH?



Photo by Joao Lamares


I think it is not easy to design  menswear, I mean, finding a balance between the bold and wearable. You can design  something very "edgy" but not easy wearable which can lead to a commercial flop. I think this will be one of the great challenges for upcoming talented designers: To get the touch of originality that distinguishes them, the construction of the brand's DNA  that will be appealing to urban tribes always hungry for new stuff, but at the same time create desirable objects that will have success in a hyper competitive market. There are many new designers to emerge since fashion is fashion, but very few of those  will be able to overcome this big challenge.


Julgo que não é fácil criar roupa para homem, já que é necessário buscar o equilibrio entre o arrojado e o vestivel, sob pena de se conseguir algo muito "edgy" mas ser impraticável e um flop comercial. Acho que esse será um dos grandes desafios que os novos talentos enfrentam quando criam as suas primeiras coleções, o conseguirem o toque de originalidade que os distinga, a construção do ADN da marca que seja apelativo às tribos urbanas sempre sedentas de novidades, mas, ao mesmo tempo criar objetos desejáveis dos quais depende o sucesso num mercado hiper competitivo. Há muitos novos designers a surgir já que a moda está na moda, mas, desses muito poucos conseguirão suplantar esse desafio.

 

Photo Joao Lamares

Photo Joao Lamares

Photo João Lamares

Photo João Lamares

Photo João Lamares

Photo João Lamares






In my opinion Nair Afonso Xavier is on track and it wouldn't be surprised if she became the next girl for whom the Fashion World will fall in love, then the Marques'Almeida have shown us how to do it. Thus, she has the opportunity to demonstrate their work on the international circuit, including, London.

Na mimha opinião Nair Afonso Xavier está no bom caminho e não estranharia se ela se tornasse a próxima menina por quem o Fashion World se apaixonará, depois, de Marques'Almeida nos ter demonstrado como isso se faz. Assim, ela tenha a oportunidade de demonstrar o seu trabalho nos circuitos internacionais, designadamente, Londres.



Photo João Lamares


Photo by João Lamares


Photo João Lamares

Photo João Lamares

Photo João Lamares
 
 

Photo João Lamares



What most caught my attention about the Nair Xavier's work - since her 2011 Spring / Summer collection to think about the men who ride a bicycle to work and have a certain dress code required - was her constant focus on color , textures and details that make her clothes extremely versatile with a quality design and the use of rich materials. Xavier's silhouettes are always comfortable and functional, but at the same time with a clean design, colors that catch the eye and fuzzy details which might be the key to Nair Xavier's future success.

Aquilo que mais captou a minha atenção acerca do trabalho de Nair Xavier, já em 2011 com a sua coleção Spring/Summer a pensar nos homens que vão de bicicleta para o trabalho  e têm um certo code dress obrigatório, foi a sua constante focagem na cor, nas texturas e nos detalhes que tornam a sua roupa extremamente versátil, sem prescindir de um design de qualidade e do uso de materais nobres. As suas silhuetas são sempre confortáveis e funcionais, mas, ao mesmo tempo com um design e acabamentos impecáveis e que poderão vir a constituir a chave do seu futuro sucesso.

 

Photo João Lamares



This Fall / Winter 2014 collection presented in "Sangue Novo" platform of Modalisboa, Nair Xavier has not lost focus on wearable / desirable equation and once again teh upcoming designer made pret-a-porter clothing, smart in contrasts from a simple silhouette. enriched by the vibrant colors as yellow duck, soft blue and vibrant cobalt mixed with great textures that can not go unnoticed.

Nesta coleção Outono/Inverno 2014, apresentada na plataforma Sangue Novo da Modalisboa, Nair Xavier não perdeu o foco na equação vestivel/desejável e mais uma vez concebeu roupa pret-a-porter, inteligente na contraposição de uma silhueta simples. enriquecida pelas texturas e cores vibrantes que não podem passar despercebidas ao olhar e que vão do amarelo pato, ao azul soft e ao cobalto vibrante.











Nair Xavier's audience is among the most demanding urban active consumers, who don't like sport clothing  mood, prefering high quality design with the cool factor and a sense of  freedom. It is a quite appealing collection indeed. I can already see young Londoners to wear the Nair Xavier's clothes, making themselves stand out from the gray atmosphere of the city, in a next edition of the Fashion Week.


O seu público está entre os consumidores urbanos mais exigentes, extermamente ativos, mas, que não gostam de roupa sport mood e não prescidem de um design de elevada qualidade que acrescentem o factor cool sem lhe tolherem a liberdade de movimentos. Não é uma coleção para intimistas mas é bastante apelativa. Já estou a ver os jovens londrinos a vestirem as peças de Nair Xavier, fazendo-se sobressair na atmosfera cinza da cidade, numa próxima edição da Fashion Week.       







Photos by João Lamares Photography
@all rights reserved by Fashion Heroines
 
If you would like to get some images please ask
 
 
 

INSPIRATION: VISION... IS ALL WE NEED!

Photo by Paula Lamares


 
Para quem vive intensamente as semanas da moda, sabe que é imposível absorver tudo ao momento, pelo que dias mais tarde quando estamos a rever as fotos editadas é que verdadeiramente "vimos" os detalhes que nos escaparam, relembramos da conversa que tivemos com um certo designer, fashionista ou jornalista ou estudante de moda... e aquilo que nos fica na retina e, seguidamente, passa para a memória, são short-stories contadas num desfile, num diálogo ou mesmo na rua por aquele outfit que por alguma razão nos marcou.


Photo by Joao Lamares


Para mim uma das melhores partes da semana da moda é o convivio com as pessoas do meio e os pequenos bate-papos nos intervalos dos desfiles com pessoas interessantes que dedicam a sua vida à moda e não necessariamente ao Fashion World. Para mim que só esporadicamente tenho acesso ao ambiente mais intímo da moda, esta troca de ideias e inspirações são altamente motivadoras.


Photo by Paula Lamares


Como disse Suzy Menkes (Vogue) num artigo que pode ler AQUI "The Circus of Fashion" , o circo está (bem) montado, e os defiles já não são para muitos o epicentro dos acontecimentos. Há muita gente que aparece à porta e que nem tem convite para assistir a todos os desfiles, simplesmente vai lá para ver e ser visto e se possível (muito) fotografado.


Photo by Paula Lamares


De facto as it-girls e os blogs de moda trouxeram novos paradigmas ao Fashion World, e são já muitos os designers que vão buscar à rua e aos looks do dia inspiração para as suas coleções e styling. Também as marcas viram nos blogs e respetivas it-bloggers uma oportunidade de vender, pois, os looks publicados rapidamente se tornam virais e como consequência os produtos anunciados (implicitamente) esgotam quase de imediato nas lojas e as marcas facturam com um investimento minimo de excelente retorno.

 

Photo by António Alexandre Palma


Com quatro marcas de peso a ausentarem-se da Lisbon Fashion Week, certamente, por falta de reconhecimento em Portugal e consequente não retorno face ao grande investimento que exige um desfile, a internacionalização torna-se um caminho obrigatório para quem quer sobreviver numa das indústrias mais duras em termos competitivos. Por isso acho que o nome VISION que a Modalisboa deu a esta edição Outono/Inverno 2014, é bastante apropriado aos tempos que correm. Aquilo de que precisamos é visão dos nossos designers, dos nossos empresários, e também, dos consumidores portugueses que consomem pouco moda nacional, possivelmente, porque falta de campanhas publicitárias apelativas ( a divulgação não se pode fazer só em três dias de seis em seis meses e depois esquecer...) e, sobretudo, a existência de um jornalismo de moda informado e apostado em divulgar também os novos nomes da moda portuguesa que têm de buscar lá fora, nomeadamente, em Londres, o sucesso e as oportunidades.    


 

Photo by Paula Lamares